A farra
O Carnaval não tem data fixa porque é um evento da liturgia das igrejas cristãs, precede a Quarta-feira de Cinzas quando se inicia a Quaresma. O detalhe religioso passa batido por muito mais gente do que se presume, tanto que muitas vozes registram inconformidade com "esta imprevidência do Governo, repetida ano a ano." Para alguns, falta uma Medida Provisória de um governante competente para resolver a situação; outros há que aplaudem o sistema, arguindo que a farra, para ser boa, começa assim, sem data imposta, evitando a banalização. O que se fixa, desse desencontro entre segmentos culturais, é que o universo das atividades do ano, em que estamos todos incluídos, irrompe após o Carnaval. Consoante à regra, retomamos a comunhão dos partilhantes do meu Observatório dos Fatos, onde exercitamos o livre pensar sobre o cativo agir da sociedade.
O partilhante Negão Demóstenes, que é neto de um remelexo do saudoso bloco humorístico Canela de Zebu, da Cidade Baixa, comentou: "Venerando, naquela época se sabia que até para se inscrever em torneio de futebol de botão tinha que se ter ficha limpa. Agora, uma lei específica impede que o Ficha Suja seja candidato a cargo eletivo, mas não impede que ele continue participando, influindo e até comandando um partido político, que é uma entidade associativa aberta a pessoas honradas."

Indigência
Indigente é a pessoa sem condições de suprir suas próprias necessidades, miserável, reles, desgraçada. O quadro das emergências hospitalares lotadas expressa a impiedosa condição de indigência a que são submetidos os pacientes do SUS, homens, mulheres, crianças, adolescentes, adultos, idosos. Notícias, em termos jornalísticos discretos, informam que a União deve aplicar 10 por cento da arrecadação na Saúde, mas aplica apenas 5 por cento. Em janeiro, a presidente Dilma determinou um corte de mais R$ 5 bilhões na Saúde.
O partilhante Incitatus, que recebeu, bem humorado, este apelido dos confrades do meu Observatório dos Fatos devido aos pronunciamentos de alto impacto, asseverou: "Enquanto isso, a nobreza da Real Corte Republicana preserva sua régia qualidade de vida em atendimento hospitalar de nome e renome internacional."

Confiança
Mesmo nos mais acalorados debates dos partilhantes do meu Observatório dos Fatos se sobressai a opinião da meiga e terna partilhante Jade. Em viagens de estudos, e também um pouco de turismo, ela circulou por outros países, usando com acuidade olhos e ouvidos na busca de lições e orientações sobre a prática de políticas sociais, culturais e educacionais. Sem ostentar outra pretensão, que não seja a de contribuir singelamente, ela acentuou que,
"Venerando, todos os lugares que percorri com afeto humanístico, despojada de parâmetros científicos, me foi dito e comprovado que a vida das pessoas, mesmo atingida por mazelas, estava fluindo com melhor qualidade em relação à década anterior. Houve um tempo em que o mundo mudava a cada cem anos por imposição de uma nova geração. Hoje, cada geração se defronta com mudanças no mundo, às quais se obriga a se adaptar. Nunca na história deste país tivemos tantos corruptos no comando, mas não serão eles que vão cair. A forma de comando é que vai mudar. Aliás, já está mudando." Todos concordaram que a Jade, além de formosa, agora é enigmática.



Anteriores

— Coluna 4 - Fev / 2012
— Coluna 3 - Fev / 2012
— Coluna 2 - Fev / 2012
— Coluna 1 - Jan / 2012